A segunda edição da Supercopa das Mina começou! Nesta terça-feira (7), damos início ao primeiro campeonato feminino de society do Youtube no mundo, idealizado e viabilizado por mulheres, do campo aos bastidores. A participação das 48 atletas vai além do troféu ao fim da competição. O protagonismo da mulher no mundo do futebol, esporte ainda predominantemente masculino, é o golaço que se busca na realização deste evento.

Ex-jogadoras, personalidades do mundo da bola, youtubers e jornalistas, organizadas nas equipes de Flamengo, São Paulo, River Plate e Emelec, se reúnem na BR Arena, em São Paulo, pra darem tudo de si nos gramados. E, fora das quatro linhas, outro time também suou a camisa: árbitras, fotógrafa, chef de cozinha, assessora, produtora, narradora… todas mulheres que se entregam à oportunidade.  

Com mais de 19 milhões de minutos assistidos e 2.3 milhões de visualizações em sua primeira edição, a Supercopa das Mina chega em 2020 com ainda mais força e estrutura, aliada a grandes marcas como Adidas, Clear e Smart Fit. Por isso, antes de vocês acompanharem tudo o que rolou no primeiro episódio, que vai ao ar às 19h, no canal, preparamos um esquenta com alguns dos nomes que vão dizer com propriedade o que esperar deste torneio único. 

Giuliana Torres, head de eventos da NWB

À frente de grandes projetos no Desimpedidos, como a Supercopa e o Superclássico, foi da Giu Torres a iniciativa de promover um campeonato com mulheres ocupando o máximo de espaços possíveis. “Todo evento que faço, faço com muito carinho. O objetivo é sempre ser legal pra quem participa, trabalha e assiste”.

A importância do apoio à causa

“Esse evento em si pegou carona no apoio que o Desimpedidos já dá pro futebol feminino, desde que a Alê Xavier cobriu a Copa do Mundo Feminina de 2019 e das últimas Supercopas que fizemos. Este ano a gente resolveu dar mais visibilidade ainda pra Supercopa das Mina, porque o mercado também entendeu que o futebol feminino é uma coisa séria”.

“A gente sabe que ainda existe uma rejeição com as mulheres que trabalham no mercado do futebol. Então dar a oportunidade pra elas atuarem nisso, como prioridade, é bem importante”.

O domínio feminino

“Planejando as coisas, pensei: “caramba, se é a Supercopa das Mina, por que não ser feita só por minas? Algo nosso, feito pra nós, do jeito que a gente gosta?”. Conversei com as pessoas e, as que via que mais se engajavam com a causa, foram escolhidas pra trabalhar. Árbitra, banda, cozinha… tudo feminino”.

“Foi bem gostoso ver as mulheres jogado com raça, trabalhando felizes. Todo mundo que recebeu convite pra participar foi muito receptivo. Desde a confecção dos uniformes pro staff, da contratação da equipe, em pensar o cronograma do dia do evento, tudo”.

Feito pra dar certo!

“A produção ficou ótima. Tínhamos algumas pessoas que não eram mulheres na equipe porque ainda não deu pra fazer algo 100% feminino, mas foi muito legal poder estar em espaços geralmente ocupados por homens. Conseguimos envolver, mesmo por um projeto, esse ambiente com muitas mulheres. Demos oportunidade pra elas trabalharem, mostrarem que são muito boas. Estamos num caminho muito lindo e forte de apoio e ajuda umas das outras”.

Dever cumprido

“Esse foi um evento que vou lembrar com mais carinho ainda, porque é algo que vai agregar bastante na minha carreira. Foi mais um gol nosso, das mulheres que trabalharam juntas, e vamos conseguir cada vez mais espaço nesse mercadão do futebol! Ainda tem muito homem, mas estamos chegando com tudo!”.

Alê Xavier, apresentadora e capitã do River Plate

Alê Xavier, apresentadora do Desimpedidos há dois anos e oito meses, é uma das figuras por trás do sucesso da competição. Com experiência na cobertura de eventos como a Copa do Mundo feminina, disputada na França, e a final do Campeonato Paulista entre Corinthians e São Paulo, a nossa camisa 10 se diz privilegiada por poder ver a evolução do torneio, que ainda vive seu segundo ano. 

Chegando com tudo!

“Tivemos muito mais participantes do que na primeira edição, e isso pra mim é muito gratificante porque mostra que elas abraçaram a causa, gostam e estão interessadas em jogar futebol. Fico muito feliz em estar mais um ano à frente do campeonato, mostrando que a gente consegue, sim, fazer uma competição só com mulheres que trabalham e falam disso”.

O feedback delas

“Muitas meninas disseram que arrasamos em termos de estrutura, organização. Tinha kit não só com uniformes, mas produtos de patrocinadores, comida, vestiário, enfim… Foi legal ver a evolução do primeiro ano pra esse. Tínhamos uma equipe com câmera, com switcher… Antes fizemos tudo na raça e desta vez tivemos uma mega estrutura! Isso mostra que valeu a pena ter investido”.

Marília Galvão, apresentadora e narradora

No Desimpedidos há pouco mais de cinco meses, Marília Galvão pôde viver dois lados da Supercopa das Mina. Em 2019, foi convidada a disputá-la vestindo as cores do Bayern de Munique. Um ano depois, ficou responsável pela narração dos duelos, acompanhada dos comentários de Milene Domingues e Cristiane Rozeira.

Oportunidade única

“Foi a primeira vez que narrei futebol. Me preparei muito, treinei em casa, pedi dicas às narradoras profissionais. Poder narrar um campeonato só com mulheres, em todos os âmbitos, foi muito gratificante. Espero que todos gostem, porque teve bastante empenho de todo mundo!”.

Time de peso ao lado

“A Cristiane Rozeira é uma jogadora que sempre acompanhei, uma das melhores do mundo. Creio que seja a melhor centroavante da história do futebol feminino! E poder estar ao lado dela, trabalhando, foi uma coisa que nunca imaginei. E sou fã da Milene Domingues, da história dela, de tudo o que ela representa pra causa”.

Novos rumos

“O futebol feminino está crescendo muito, principalmente após a Copa do Mundo de 2019, em que muita gente começou a acompanhar mais. A visibilidade já é um pouco maior, mas temos que lutar, é um dever de todo mundo que gosta de futebol. Nos preocuparmos em dar espaço e audiência”.

Dar exemplo

“Pela grandeza do Desimpedidos, investir no futebol feminino é o que todo mundo espera. É uma vitrine imensa. Já provou-se que temos público pra isso, que o pessoal gosta. Estamos fazendo nosso papel como podemos. Tomara que os outros canais, emissoras de TV e etc. continuem investindo nessa causa”.

E pra quem sonha...

“Não desistam! Sei que é difícil, porque o futebol feminino tem muito menos investimento, mas isso não pode ser um impeditivo. Se você tem vontade de jogar futebol, trabalhar com isso, vai fundo! Agora é o momento. Muitas mulheres já abriram as portas pra gente, e é só lutando que conseguimos alcançar o nosso lugar!”.

Tainá Grando, jogadora do Flamengo

A porto-alegrense Tainá Grando, de 29 anos, é coreógrafa, bailarina e atriz. Rosto conhecido nos vídeos do Desimpedidos, ela conta como recebeu o convite pra participar pela primeira vez da Supercopa das Mina. “Conheço o Chico e o Fred há muitos anos, e o convite partiu de uma indicação do Chico. Sempre tive contato com a galera. Acompanho o trampo deles e eles o meu”. 

Jogar pra apoiar

“Achei muito importante participar porque, por mais que eu não jogue, o futebol feminino conta cada vez mais com a participação de mulheres em várias funções, geralmente exercidas por homens. Acompanhar o que rolou mostra que o esporte é pra todo mundo, e temos que valorizar, sim, o trabalho das mulheres”.

Dessa Brandão, musicista

Dessa Brandão chegou com sua banda de pagode, a Batuque de Lara, formada apenas por mulheres, pra agitar a confraternização da Supercopa das Mina. Aos 27 anos, conta sobre a sua primeira vez em um evento pensado pras meninas, e as dificuldades similares que enxergou entre o mundo musical e esportivo.

Mundos diferentes. Dificuldades…

“Amei ter participado. Me vi muito porque, em algum grau, o cenário musical e esportivo têm dificuldades parecidas, principalmente pra conseguir incentivo. Em ambas as áreas, o aspecto masculino já tem uma consolidação. Então senti uma horizontalidade, uma empatia”.

Reforço à pauta

“As mulheres precisam movimentar esse cenário. Acho importante o apoio e prestígio dos homens também, por mais que seja difícil. Um ponto crucial é que a gente tem uma grande diferença do feminismo e do feminismo negro. Então, precisamos olhar isso. Não estou aqui pra fazer uma cobrança, e nunca vou chegar nesse lugar em nenhum evento que eu vá, mas a gente precisa olhar que dentro dos jogos tinha poucas mulheres negras. Nós sempre contamos”.

“Se você é uma mulher branca, é óbvio que o seu círculo vai ser mais de mulheres brancas. Porém, se preocupar com isso e dar um olhar e uma importância pra essas mulheres, negras, trans, é necessário”.

O que tem de ficar

“Vamos olhar essas particulares e o que a gente pode fazer com o nosso privilégio pra ajudar a melhorar o cenário que é difícil pra mulher branca, mas que, pras pretas, é bem mais complicado”. 

Danielle Sampaulo, fotógrafa

A Dani Sampaulo foi a responsável por registrar toda a atmosfera dos jogos. Fotógrafa especialista em esporte feminino, se desdobrou pra capturar os inúmeros momentos em que as meninas conversavam, brincavam, jogavam e celebravam. Tudo ao mesmo tempo. 

O cenário ideal

“Foi perfeito. A comunhão das meninas, a sensibilidade. É bonito ver a força da mulher num esporte que atualmente é protagonizado pelos homens. Foi maravilhoso. O clima, as brincadeiras, as provocações dos times”.

Lidando com a responsa

“Já fotografo futebol feminino tem um tempinho e a Giu, que foi uma querida, me convidou por conta desse olhar e protagonismo femininos em todo o evento. Acompanho o Desimpedidos e foi uma realização profissional poder registrar uma Supercopa das Mina pra um canal do Youtube que é grandioso”.

A maneira do olhar 

“Passei a acompanhar mais futebol quando comecei a fotografar. Precisava entender o sentimento da mulher nesse esporte. E calhou que eu gostei. Ano passado acompanhei a Copa Feminina, hoje já entendo um pouco mais, conheço jogadoras, abriu um novo mundo pra mim”.

Reconhecimento em expansão

O futebol feminino existe há um tempo, mas acho que em 2019 foi verdadeiramente apresentado à sociedade, nasceu pra um novo rumo. De uma forma profissional, grandiosa, que fez com que as pessoas se atentassem, conversassem e acompanhassem mais. Acredito que daqui pra frente só vai crescer.”

Carol Desimone, chef de cozinha

A chef de cozinha Carol Desimone, de 29 anos, foi convidada pra alimentar a galera, mas sem tirar o pique de ninguém! Preparou um cardápio cheio de opções saudáveis e artesanais, com refeições leves e nutritivas. Tudo pensado pra manter o rendimento das jogadoras em campo”. 

Romper barreiras

“Muito importante pra quebrar paradigmas e mostrar que mulher e futebol têm tudo a ver, sim. Pra impactar positivamente meninas que precisam de estímulo e motivação pra seguirem no esporte”.

Contagem regressiva!

Com quatro episódios, que vão ao ar às terças-feiras, a Supercopa das Mina espera impactar positivamente todas as mulheres, e encorajar especialmente àquelas que gostam e sonham em trabalhar com o futebol. Além disso, busca manter acesa a discussão a respeito do papel feminino na sociedade, tão reduzido ao longo da história.
Contamos, nesta edição da competição, com mulheres de diferentes perfis, profissões e histórias de vida. No entanto, enquanto a bola rolar, todas elas dividem um único objetivo: o de celebrar e desfrutar da união feminina no esporte e na vida.
Vida longa à Supercopa das Mina!

Assista ao primeiro episódio da Supercopa das Mina

Autor Rafaela Oliveira

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